Já se estudaram outras alternativas para mulheres?

Viagra > existe viagra feminino


Na primeira reunião com o grupo que conduziria a pesquisa, uma surpresa: apenas homens - a maioria acima dos 50 anos, médicos e sem PhD, ou seja, sem treinamento aprofundado em pesquisa científica.

Designação comum Nome científico Indicação aprovada Forma de administração
Viagra feminino Flibanserina Desejo sexual hipoativo em mulheres na pré-menopausa Comprimido oral diário
Bremelanotida Peptídeo sintético Perturbação do desejo sexual hipoativo (em estudo na Europa) Injeção subcutânea
Testosterona Hormona androgénica Disfunção sexual feminina associada a défice hormonal (uso off-label) Gel, adesivo ou implante
Óleo de canábis Cannabis sativa Não aprovado; uso recreativo ou experimental Óleo sublingual ou vaporização

"Tinha uma secretária também, que entrava na sala às vezes para servir bolinhos", ela brinca, emendando que acredita que os envolvidos "estavam lá com a melhor das intenções, que queriam ajudar as mulheres e realmente achavam que estavam diante de algo que poderia fazer isso". Ainda assim, a sensação é de que "não houve um debate razoável sobre o que é resposta sexual feminina - os gatilhos para o desejo e a excitação, a conexão (ou desconexão) entre o que acontece no cérebro e no restante do corpo - e sobre por que aquela abordagem provavelmente não iria funcionar". "E isso não é algo único daquela empresa", completa a cientista.

Medicamento Estado na EMA Motivo da não aprovação Alternativa na UE
Flibanserina Recusado (2013) Relação benefício-risco desfavorável Nenhum equivalente direto
Bremelanotida Não submetido Nenhum
Testosterona Aprovada apenas para homens Falta de estudos em mulheres Uso off-label com supervisão
Ospemifeno Aprovado Indicado para dor durante relação

Boolell concorda que a indústria farmacêutica deveria "ter ouvido mais as mulheres".

Não é uma solução para todos

Nos homens, aliás, o viagra não funciona sem desejo - é preciso "ativação" do cérebro para que haja ereção. A questão central, nesse caso, é que o mecanismo de manifestação do desejo é bastante diferente entre homens e mulheres. Na visão de Prause, ainda que tudo isso estivesse claro desde cedo para muitos dos cientistas envolvidos nas pesquisas, o potencial de vendas de uma droga que pudesse chegar ao mercado com o mesmo marketing do viagra fez com que muitas farmacêuticas ignorassem os alertas. "Nós avisamos que não iria funcionar", ela reitera. Então estudante de pós-graduação no prestigioso Kinsey Institute, Prause acompanhava seu mentor quando, no começo dos anos 2000, se envolveu em um dos projetos do viagra feminino. Em 2004, quando a Pfizer anunciou que estava suspendendo seu projeto, ele deu uma série de entrevistas para explicar os motivos. "Há uma desconexão em muitas mulheres entre as mudanças na genitália e as mudanças no cérebro [durante a resposta sexual]", disse na ocasião. "Essa desconexão não existe entre os homens. Homens têm ereções consistentemente na presença de mulheres nuas e querem fazer sexo. Com as mulheres, as coisas dependem de uma miríade de fatores." Depois do fracasso, as farmacêuticas gradativamente fecharam as torneiras e o ciclo do financiamento abundante para pesquisas em fisiologia sexual minguou.

Produto Dosagem Quantidade + Bónus Preço
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Viagra Genérico200mg10 comprimidos40.96€ 39.01€
Viagra Genérico25mg30 + 4 comprimidos47.97€ 45.69€
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Viagra Genérico50mg10 comprimidos26.87€ 25.59€

Prause, que a essa altura já estava no departamento de Psiquiatria da Universidade da Califórnia como pesquisadora associada, começou a enfrentar resistência interna na instituição para continuar tocando um estudo sobre orgasmo e depressão.

Como tomar

Nossa ciência [fisiologia sexual] ainda é de certa forma marginalizada, é vista como uma área arriscada. Há muitas companhias que não querem nem chegar perto desse assunto." Quase 25 anos e muitos milhões de dólares depois, a indústria farmacêutica nunca conseguiu emplacar uma versão da "pílula azul" para as mulheres. A história do viagra viagra comprimido azul preco masculino é bastante conhecida. "Quando alguns dos participantes dos testes clínicos começaram a relatar que vinham tendo mais ereções que o normal. Nós inicialmente não demos muita atenção, achamos que se devia ao fato de os participantes serem homens jovens." A decisão de investigar melhor veio quando um trabalho publicado por pesquisadores americanos mostrou como um dos componentes do fármaco que eles vinham testando (chamado inibidor PDE5) agia sobre o tecido do corpo cavernoso do pênis, aumentando a circulação sanguínea na região.

Flibanserin é o mesmo que Viagra?

"Meu chefe pediu que organizasse um estudo para entender se aquilo era real ou um 'acidente'", lembra Boolell. Tempos depois, as pesquisas com o viagra mostrariam que esse aumento da circulação era de fato capaz de provocar ereções e de mantê-las por mais tempo. E a primeira abordagem da indústria farmacêutica ao voltar seus esforços para um possível viagra feminino se baseava exatamente nesse princípio: literalmente bombear mais sangue para a vagina e para o clitóris. "O tecido que dá origem aos órgãos sexuais femininos e masculinos é o mesmo nas fases iniciais do desenvolvimento do feto", explica Boolell. "Esse tecido vai se diferenciando à medida que é exposto aos hormônios, mas as células-tronco que dão origem aos órgãos sexuais são essencialmente as mesmas [em meninos e meninas]. Apesar de ter conseguido financiamento privado para sua pesquisa, ouviu da universidade que não poderia aceitar o dinheiro - uma postura que ela atribui viagra masculino 100 mg ao caráter "controverso" de sua pesquisa. Terminado seu contrato com a UCLA, ela resolveu fundar a Liberos, um instituto de pesquisa independente.

  • Os ensaios clínicos em Portugal para novos fármacos da sexualidade feminina são raros, mas algumas universidades participam em estudos internacionais.
  • A indústria farmacêutica tem mostrado menos interesse em desenvolver medicamentos para mulheres do que para homens, devido a questões históricas.
  • A aprovação da flibanserina nos EUA foi polémica, com críticas à sua eficácia marginal e aos riscos associados.
  • Em 2025, não existe nenhum medicamento aprovado na União Europeia especificamente para a PDSH.
  • As guidelines europeias recomendam abordagens psicossociais e hormonais antes de considerar fármacos experimentais.

"Há ainda um grande estigma em relação a qualquer coisa que se proponha a lidar com problemas sexuais das mulheres", diz ela. "Uma pílula é considerado algo 'aceitável', mas qualquer coisa mais ligada à sexualidade é vista por muitas empresas como algo que pode causar dano à imagem, algo que pode ser visto como pornográfico. Passadas quase duas décadas, uma farmacêutica não havia desistido do viagra feminino - mas focava em outro órgão, o cérebro.

Quem não deve usar

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5. Maca peruana

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Especialistas explicam que o medicamento pode não ser uma boa solução para todos os casos

Página actualizada com alterações da revisão periódica de 3 anos. Para mais informação, leia a nossa política editorial O Dr. Daniel supervisiona todos os assuntos clínicos no Treated. Como chefe clínico, apoia o resto da nossa equipa para garantir que tudo o que estamos a fazer é seguro e coloca os pacientes em primeiro lugar. Passa também muito tempo a dar consultas aos pacientes em primeira mão, permitindo-lhe perceber como está tudo a funcionar e o que podemos melhorar.

1. Flibanserin

Para mais informação, leia a nossa política editorial Descoberta por acaso pela Pfizer, a "pílula azul" se tornou uma máquina de fazer dinheiro. Só nos primeiros três meses, os americanos compraram o equivalente a US$ 400 milhões da droga para disfunção erétil. Não demorou para que a indústria farmacêutica voltasse os olhos para a outra metade do mercado - as mulheres - e visse aí uma oportunidade de dobrar seus lucros. "Eu comecei a estudar fisiologia sexual bem na época em que o viagra apareceu. E a sensação era de que, naquele momento, muito dinheiro passou a fluir para a pesquisa em sexologia", relembra Nicole Prause, neurocientista e pesquisadora ligada à Universidade da Califórnia (UCLA). A droga foi recebida de forma crítica pelos especialistas.

Efeito secundário Frequência Recomendação
Tonturas Frequente Evitar conduzir após a toma
Sono Muito frequente Tomar ao deitar
Náuseas Frequente Tomar com alimentos
Hipotensão Menos frequente Evitar álcool
Fadiga Frequente Monitorizar sintomas

Nos testes clínicos, o aumento no número de episódios sexuais satisfatórios (uma medida relativamente subjetiva usada pelo órgão regulatório americano, o FDA, para avaliar essa categoria de medicamentos) observados em um mês entre as participantes ficou entre 0,5 a 1, quando comparado aos resultados do grupo submetido ao placebo.

  • Em Portugal, a disfunção sexual feminina é frequentemente subdiagnosticada, pois muitas mulheres não falam abertamente sobre o assunto com o seu médico de família.
  • A terapia sexual e a psicoterapia de casal são frequentemente mais eficazes do que qualquer medicamento para problemas de desejo.
  • As causas mais comuns de falta de desejo incluem stress, fadiga, depressão, ansiedade de desempenho e conflitos no relacionamento.
  • A menopausa e a perimenopausa são fases críticas em que muitas mulheres procuram soluções para a diminuição da libido.
  • Os contraceptivos hormonais podem reduzir o desejo sexual em algumas mulheres, sendo importante rever a contraceção com o ginecologista.

Ou seja, no intervalo de um mês, as mulheres que tomavam o medicamento relataram um episódio sexual satisfatório - ou menos - a mais do que aquelas que o não tomavam. Muita gente considerou que o custo-benefício não valia a pena.

Viagra: para que mais o sildenafil é usado para além da de?

E a enzima fosfodiesterase tipo 5 [PDE5] também está presente no tecido genital feminino. Então nós pensamos: 'Bom, se funcionou com os homens, tem uma boa chance de que tenha impacto nas mulheres'." Os exames fisiológicos chegavam a mostrar um aumento da circulação sanguínea na vagina e no clitóris, mas tanto as participantes do grupo placebo quanto as que estavam tomando viagra não relatavam melhora na função sexual. Outras farmacêuticas realizando pesquisas semelhantes vinham se deparando com o mesmo problema - o que não chegava a ser surpresa para os especialistas em fisiologia sexual que já pesquisavam como a questão do fluxo sanguíneo se encaixava na equação da satisfação sexual. Esse era o caso da cientista Nicole Prause, na época envolvida em um dos comprimido azulzinho viagra projetos do viagra feminino nos EUA. O aumento do fluxo de sangue para os órgãos sexuais também faz parte da resposta sexual feminina.

Qual o efeito do flibanserin?

Quando uma mulher fica excitada, o corpo intensifica a circulação sanguínea nas paredes vaginais e no clitóris, que aumenta de tamanho, assim como os pequenos lábios - um processo chamado vasocongestão. O problema é que, muitas vezes, as mulheres não chegam nem a se dar conta de que isso acontece. "Nós estudamos isso por anos e, para as mulheres, não é tão fácil autoavaliar a vasocongestão", ressalta Prause. "Então nós sabíamos que a chance de fazermos algo nesse sentido e de que as mulheres relatassem que de fato estavam sentindo alguma coisa era praticamente zero." A maioria dos problemas sexuais das mulheres não tem relação com um fluxo insuficiente de sangue para região genital, destaca Lori Brotto, professora do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, e diretora do Laboratório de Saúde Sexual da mesma instituição. Especialmente o mais comum deles: a perda ou a redução do desejo sexual. Ao contrário do viagra, o flibanserin tem de ser tomado diariamente, e pode causar tontura, fadiga e náusea. Também não pode ser consumido por mulheres que ingerem álcool - como o uso é diário, quem opta por tomá-lo tem de parar de beber.

  • Os produtos vendidos online como "viagra feminino natural" são frequentemente falsificados e podem conter substâncias perigosas não declaradas.
  • A Autoridade Nacional do Medicamento (INFARMED) alerta para os riscos da compra de medicamentos não autorizados em sites não oficiais.
  • Algumas mulheres experimentam melhoria da libido com suplementos de maca peruana, mas os estudos são escassos e contraditórios.
  • O ginseng e o tribulus terrestris são por vezes usados, mas não têm aprovação para uso terapêutico em disfunção sexual feminina.
  • É sempre preferível consultar um ginecologista ou urologista do que auto-medicar-se com produtos de eficácia duvidosa.